Executivos financeiros no gerenciamento de projetos – É preciso mais atenção!

Autor: Álvaro Camargo*

*Consultor de empresas com mais de 30 anos de experiência em gerenciamento de projetos. Professor convidado dos cursos de MBA em Gerenciamento de Projetos da Fundação Getúlio Vargas e dos cursos de extensão da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp.

Objetivo deste artigo

Qualquer organização faz somente dois tipos de coisas:

  • Gerencia operações de rotinas e,
  • Gerencia projetos.

Por questões óbvias, os profissionais de finanças estão sempre de olho nos números das operações de rotina.

Porém, não é possível afirmar que o mesmo cuidado se aplica aos projetos.

As preocupações básicas dos executivos financeiros no gerenciamento de projetos normalmente se resumem a três pontos principais:

  • Na fase de planejamento, os executivos financeiros analisam a viabilidade econômica e financeira do projeto e ajudam a definir um orçamento.
  • Na fase de execução do projeto, a preocupação dos executivos financeiros no gerenciamento de projetos é com os desembolsos para o controle de fluxo de caixa da empresa como um todo e, complementarmente, controlar o orçado versus o realizado de forma que o orçamento do projeto não seja ultrapassado.
  • Depois que o projeto está pronto, a preocupação dos executivos financeiros no gerenciamento de projetos se volta para verificar se as métricas de rentabilidade do projeto foram realizadas conforme aquilo que se previa.

Cumpre notar que essa última preocupação é bem mais rara, e nem toda organização faz uma análise apurada da colheita de benefícios do projeto.

Nossa recomendação é que os profissionais de finanças sejam mais ativos no gerenciamento projetos buscando otimizar sua criação de valor, ou evitar sua destruição de valor.

É exatamente sobre esse ativismo que trata o presente artigo.

A problemática dos tipos de contratos de um projeto

Existem diversos tipos de contratos de um projeto que podem ser usados com seus fornecedores.

Do ponto de vista financeiro todos os tipos de contratos de projeto são sempre variações de três tipos básicos:

  • Contratos de preço fixo e suas variações;
  • Contratos de reembolso de custos e suas variações; e
  • Contratos de tempo e material.

Do ponto de vista do arranjo jurídico entre as partes e de entrega do escopo do projeto, existem diversos outros tipos, como por exemplo, contratos de aliança, contratos EPC e EPCM.

O importante é perceber que a escolha incorreta do contrato do projeto poderá dar origem a um relacionamento problemático entre o contratante e o contratado que, quase sempre, acaba por redundar em prejuízos para a empresa contratante, para a contratada ou para ambas as partes.

Sabendo analisar e ajudar a decidir qual tipo de contrato do projeto é mais adequado, o profissional de finanças, do contratante ou da contratada, poderá minimizar problemas de reivindicações e pleitos de compensação para obtenção do equilíbrio econômico financeiro de um contrato.

Escolher o contrato incorreto é uma receita certa para que projetos resultem em prejuízos.

Um projeto com escopo indefinido não pode, por exemplo, usar um contrato por preço fixo.

Afinal, precificar algo que não se sabe exatamente o que é e quanto custará termina por ser um exercício de adivinhação e não um processo científico de administração.

Atraso de um projeto e seu impacto financeiro no resultado da empresa

  • Atraso do início da geração das receitas e, portanto, geração de caixa.
  • Pagamento de multas junto ao cliente que contratou o projeto.
  • Aumento de custo do projeto.
  • Possibilidade de perda de market share em função do lançamento tardio no mercado de um novo produto resultante de um projeto.
  • Perdas por custo de oportunidade de uso de recursos em outros projetos promissores.

O atraso de um projeto e seu impacto financeiro no custo fixo de pessoal indireto envolvido no projeto, por exemplo, tende a ser um item de valor elevado.

Os atrasos fazem com que esse custo indireto de pessoal aumente.

Os atrasos corroem as margens do contratado e aumentam os custos do contratante, com impactos diretos na demonstração de resultados das duas empresas.

É curioso notar que poucos são os executivos financeiros que sabem como medir se um projeto está atrasado ou não.

Os executivos de finanças tendem a aceitar o posicionamento do gestor do projeto de que o mesmo está em dia até que, no final, percebe-se que o projeto está atrasado.

Não é incomum que só se perceba no final do projeto que o consumo dos recursos financeiros e o percentual de avanço estão descasados. Gastou-se muito dinheiro e houve pouco avanço.

Na realidade existe um método científico sobre como medir se um projeto está atrasado ou não.

Mas esse método só funciona se executivos de finanças estabelecerem meios adequados de apropriação dos custos incorridos ao longo da execução do projeto.

Conclusões deste artigo

É comum que os executivos financeiros das empresas participem da análise de viabilidade econômica e financeira de projetos.

Adicionalmente os executivos financeiros controlam a execução orçamentária do projeto.

Este artigo recomenda que os executivos financeiros participem de outras ações ao longo do gerenciamento de um projeto.

Dentre muitas ações destacamos:

  • Análise da decisão sobre qual é o melhor tipo de contrato a ser fechado entre contratante e contratada.
  • Medição do eventual atraso de um projeto e seu impacto financeiro nos resultados.
  • Medição nos resultados financeiros reais do projeto via a vis o orçado.

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