Como calcular um teste de Impairment utilizando o CPC 01 – Redução ao valor recuperável de ativos

Autor: Denilson Capelari

Profissional com 17 anos de experiência na área de Auditoria Externa, em empresas multinacionais de grande porte entre elas KPMG, Deloitte, Arthur Andersen e Coopers & Lybrand, nos segmentos de Consultoria e Prestação de Serviços em Auditoria das Demonstrações Contábeis

Objetivo deste artigo

Com a adoção das Normas Internacionais de Contabilidade no Brasil desde 2010, houve uma aproximação da famosa contabilidade tradicional denominada então de contabilidade societária, com os conceitos gerenciais amplamente utilizadas pelas empresas e mercados para gerir e avaliar seus negócios.

Um desses conceitos é a capacidade que uma empresa tem em gerar retorno sobre os valores investidos em seus ativos.

O que demonstraremos neste artigo é como calcular um teste de Impairment utilizando o CPC 01Redução ao valor recuperável de ativos.

Adicionalmente demonstraremos potenciais impactos da aplicação do Pronunciamento nas demonstrações financeiras.

Como calcular o teste de Impairment utilizando o CPC 01

O objetivo do CPC 01 é definir procedimentos visando assegurar que os ativos não estejam registrados contabilmente por um valor superior àquele passível de ser recuperado no tempo pelo uso nas operações da entidade ou por sua eventual venda.

Na essência, o CPC 01 exige que a empresa prove que os ativos são recuperáveis, caso contrário, deve-se ajustar esses ativos ao seu valor real de recuperação.

Acompanhe o exemplo abaixo:

Vamos supor que a empresa possui em seu ativo imobilizado três máquinas que trabalham em conjunto em uma linha de produção (unidade geradora de caixa) totalizando o valor contábil líquido investido de $300.000.

De acordo com o CPC 01, precisamos provar que os $300.000 são recuperáveis pelo uso contínuo desses ativos, o que chamamos de valor em uso, ou recuperáveis pela sua venda.

Usando o critério do valor em uso, devemos projetar o fluxo de caixa que essa unidade geradora de caixa irá produzir para os próximos cinco anos e trazer a valor presente por uma taxa de desconto que leve em consideração o risco desse investimento.

Vamos projetar o seguinte fluxo de caixa:

Considerando uma taxa de desconto de 11% ao ano, teríamos um valor presente líquido de $234.857. Este é o valor em uso.

Usando o critério de valor líquido de venda, ou seja, caso tivéssemos que vender as três máquinas, vamos supor que o valor justo deduzindo das despesas com vendas montam em $210.000. Este é o valor pela venda.

Temos, portanto, dois números diferentes que mostram o valor recuperável da unidade geradora de caixa.

Conforme o CPC 01, devemos escolher o maior valor entre os dois critérios utilizados para recuperar os ativos.

O valor escolhido para comparar com o saldo contábil é $234.857, o que irá acarretar em uma perda estimada com o imobilizado de $65.143 ($300.000 que é o valor líquido contábil menos o valor recuperável pelo uso de $234.857) que será contabilizada diretamente no resultado do exercício.

O lançamento contábil ficaria dessa forma:

Débito – Outras despesas operacionais – $65.143

Crédito – Imobilizado – $65.143

O CPC 01 determina que o crédito no imobilizado deve ser feito proporcionalmente ao valor contábil de cada ativo da unidade geradora de caixa.

Graficamente, temos o seguinte conceito:

 

Quando fazer e as exceções

O teste de Impairment deve ser realizado somente quando há indicativos de que os ativos como imobilizado, intangível, ativos mantidos para venda e operação descontinuada possam ter sofrido um problema de recuperação, caso contrário à avaliação formal não é requerida.

A exceção é para o teste de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) e de ativos intangíveis com vida útil indefinida. Nesses casos o teste é exigido uma vez por ano.

A recomendação é de que, independente do motivo que leve uma entidade a fazer o teste, que ela faça próximo ao fechamento das demonstrações financeiras, como 31 de dezembro.

De acordo com o CPC 01, o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) adquirido em combinação de negócios deve, a partir da data da operação, ser alocado a cada uma das unidades geradoras de caixa e seguir os procedimentos de teste descrito no item 2 deste artigo.

Havendo uma perda em decorrência do teste, o ágio deverá receber todo o ajuste até sua baixa total.

Somente após a baixa total do ágio é que creditaremos outros ativos da unidade geradora de caixa de forma proporcional.

Reversão em período subsequente

A entidade deve avaliar, no final de cada período de reporte, se há alguma indicação de que a perda registrada em período anterior possa não mais existir ou ter diminuído.

Nesse caso, a reversão total ou parcial da perda é requerida, sempre respeitando o limite do valor original caso não houvesse o ajuste de Impairment em períodos anteriores.

Importante destacar que a perda por desvalorização reconhecida para o goodwill não deve ser revertida em período subsequente.

Conclusão do artigo

A aplicação do Pronunciamento contábil CPC 01Redução ao valor recuperável de ativos é obrigatório para todas as entidades, assim como os demais Pronunciamentos contábeis.

A sua não observância pode impactar diretamente o resultado da entidade e mostrar um cenário de lucratividade e de retorno que muitas vezes não refletem a realidade do momento econômico.

A própria crise econômica instalada no Brasil desde 2015 já é um grande indicador de Impairment.

Muitos empresários investiram em novas fábricas, processos e tecnologias na fase pré-crise e que agora não conseguem manter o nível de lucratividade planejado. Observamos muito isso na indústria automotiva, varejo e construção civil.

Como sempre, a tomada de decisão envolve sempre análise quantitativa e qualitativa de informações.

Os números financeiros apresentados nos balanços são fonte de informações preciosas e nada melhor que uma adequada apresentação para uma avaliação correta.

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