Como calcular o retorno sobre patrimônio líquido? Quais são os seus determinantes?

O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (RPL) é o mais importante indicador econômico sob a ótica dos acionistas. Ele aponta o retorno sobre o capital investido.

Como os acionistas desejam que seu negócio aumente de valor, quanto mais elevado for o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (RPL), “mais rico ele fica”.

Quais os determinantes do RPL? Que indicadores deveremos controlar que sinalizem o que está indo bem, e, portanto, deverá ser mantido, e o que está mal, e consequentemente deverá ser modificado?

Os determinantes do RPL são: margem, giro e leverage.

Vamos também analisar as limitações do RPL: o problema do tempo, o problema do risco e o problema do valor.

Recomendamos que todas as empresas construam seu “painel de bordo”, que vem a ser um conjunto de indicadores econômicos e financeiros devidamente articulados.

Este conjunto de indicadores partiria da “Presidência”, com o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (RPL).

Os determinantes do RPL seriam os 3 “Diretores”: Margem de Lucro, Giro Sobre os Ativos e Alavancagem Financeira. Abaixo de cada Diretoria estarão os “Subordinados”. São aqueles conjuntos de indicadores econômicos e financeiros que servirão para monitorar cada determinante.

Retorno sobre o Patrimônio Líquido

Vamos observar as demonstrações financeiras apresentadas a seguir:

As demonstrações financeiras estão concatenadas, ou seja, o balanço está amarrado com o resultado. Todavia, os números foram trabalhados para facilitar o processo de aprendizado da matéria.

Vamos apresentar a evolução do Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (RPL):

O RPL de cada mês é calculado com base no patrimônio líquido do final do mês anterior. Exemplo: O lucro líquido no mês de abril foi de $3.640. O patrimônio líquido em 31 de março de 2018 era de $51.300. Portanto, o RPL em abril foi de 7,10% ($3.640 / $51.300).

O RPL cresceu dos meses de abril a julho de 2018. Como explicar?

Os determinantes do retorno sobre o Patrimônio Líquido (RPL)

Para analisar melhor os determinantes do RPL “resumimos” o balanço patrimonial da seguinte maneira:

AOL é a abreviação da expressão Ativo Operacional Líquido. É a diferença entre o ativo operacional menos os financiamentos espontâneos.

Exemplo: Em 31 de março o ativo operacional era de $106.000. O somatório dos financiamentos espontâneos foi de $24.700 ($15.000/fornecedores + $4.500/impostos a pagar + $1.560/imposto de renda a pagar + $3.640/dividendos a pagar). O AOL em 31 de março era de $81.300 ($106.000 – $24.700).

O AOL de $81.300 aponta a parcela do ativo total que necessita ser remunerada. Remunerada por quê? Porque existe capital de terceiros que tem custo e patrimônio líquido que também tem custo. O custo do patrimônio líquido (usualmente chamado de custo do capital próprio) é a estimativa mínima de retorno esperado pelos acionistas.

O Retorno Sobre o Patrimônio Líquido (RPL) nasce da seguinte relação:

Onde: LL = Lucro Líquido, PL = Patrimônio Líquido

O RPL poderá ser desdobrado em 3 determinantes:

Onde: AOL = Ativo Operacional Líquido, LL = Lucro Líquido, PL = Patrimônio Líquido

A relação LL / Vendas é um indicador de margem.

A relação Vendas / AOL é um indicador de giro sobre os ativos operacionais.

A relação AOL / PL é uma relação de alavancagem financeira (leverage).

Em nosso exemplo, o “painel de bordo” que monitora o Retorno Sobre o Patrimônio Líquido é o seguinte:

(1) Prova: 7,10% = 12,13% x 0,3690 x 1,5848

(2) 0,1213 = $3.640 / $30.000

(3) 0,3690 = $30.000 / $81.300

(4) 1,5848 = $81.300 / $51.300

Comentários

Comentários Gerais

  • Para elevar o RPL buscamos aumentar a margem de lucro. Para tanto, elevamos preços e reduzimos gastos;
  • Para elevar o RPL buscamos elevar o giro sobre os ativos operacionais. Para tanto, aumentamos o volume de vendas (por tabela acabamos melhorando a margem de lucro pela diluição de gastos fixos), e
  • Para elevar o RPL buscamos elevar a alavancagem financeira. Para tanto, elevamos a participação de financiamentos a custos baixos na estrutura de capital para financiar projetos com taxas de retorno maiores que os custos do referido financiamento. Também podemos reduzir o patrimônio líquido pagando dividendos mais agressivos e, portanto, reduzindo o PL a ser remunerado.

Comentários Específicos

  • No mês de maio melhoramos o RPL em relação a abril (de 7,10% para 7,78%). Isto deveu-se a um aumento da margem de lucro (de 12,13% para 13,30%) em função de uma redução das despesas operacionais de $5.000 para $4.500. As vendas continuaram as mesmas. Os indicadores de giro e alavancagem permaneceram inalterados.
  • No mês de junho melhoramos o RPL em relação a maio (de 7,78% para 9,52%). Isto deveu-se a um aumento nas vendas de $30.000 para $31.500 sem correspondente aumento no ativo operacional líquido que permaneceu estável em $81.300. O aumento nas vendas trouxe a reboque um aumento na margem de lucro líquido (de 13,30% para 15,50%) pois o CMV permaneceu constante em $15.000, assim como a despesa operacional em $4.500. O indicador de alavancagem financeira permaneceu inalterado.
  • No mês de julho melhoramos o RPL em relação a junho (de 9,52% para 9,99%). A margem de lucro permaneceu constante em 15,50%, assim como o lucro líquido também permaneceu inalterado em $4.883. Como o PL era de $48.859 em 30 de junho contra $51.300 em 31 de maio, é provável a ocorrência no mês de junho de uma política de dividendos mais agressiva, consumindo inclusive reservas de lucros. Se de um lado mantemos o lucro, do outro reduzimos o PL a ser remunerado, o RPL somente poderia melhorar. A política de dividendos mais agressiva diminui o AOL melhorando o giro da operação.

Limitações na interpretação do RPL

Se a empresa A teve um RPL superior ao da empresa B, podemos afirmar sempre que seu desempenho econômico foi melhor?

Se uma empresa aumenta o seu RPL é evidente que sua performance econômica melhorou?

O RPL tem 3 problemas:

  1. O problema do tempo;
  2. O problema do risco, e
  3. O problema do valor.

Embora o RPL seja o principal indicador de desempenho de uma companhia, precisamos conhecer suas limitações para melhor qualificar sua interpretação.

O problema do tempo

Uma empresa recém inaugurou sua nova fábrica. Os investimentos estão feitos, todavia o retorno acontecerá ao longo dos 5 próximos anos.

O RPL está caminhando ao longo dos últimos anos num patamar elevado. Ele diminui quando a fábrica começa a operar pois começamos a determiná-lo levando em consideração todo o investimento realizado (além disso, os lucros nos primeiros anos são reduzidos). Como acreditamos que o projeto será bem-sucedido, a médio/longo prazo o elevado patamar de RPL é retomado.

Por ser um indicador usualmente calculado em bases mensais, trimestrais ou anuais, o RPL não captura todo o impacto das decisões financeiras de longo prazo.

O problema do risco

Convivemos diariamente com o dilema entre risco e retorno. Se desejamos maiores retornos teremos que assumir maiores riscos.

O RPL sozinho não possibilita uma conclusão definitiva sobre a qualidade do desempenho econômico alcançado. Precisamos conhecer o custo do capital próprio (expectativa de retorno mínima esperada pelos acionistas).

Por exemplo, uma empresa de distribuição de energia obteve um retorno sobre o patrimônio líquido de 15%, bastante comemorado pelos acionistas que esperavam um retorno mínimo de 12% para o período.

No mesmo período, um acionista de uma casa de espetáculos lamentava o baixo retorno sobre o patrimônio líquido de sua empresa, 18% (superior aos 15% da empresa de energia), contra uma expectativa de 25%. Para ele, seus negócios são de elevado risco, sendo 18% considerada uma remuneração insuficiente.

O problema do valor

Calculamos o RPL sobre o patrimônio líquido pelo seu valor contábil.

Em muitas empresas o valor de mercado do PL é diferente do seu valor contábil.

Esta possibilidade é muito transparente nas empresas de capital aberto (aquelas com ações negociadas em Bolsa de Valores).

Em nosso exemplo, em 31 de maio o valor contábil do PL era de $51.300. Suponhamos que nossa empresa fosse de capital aberto, e que o PL levando em consideração o valor de mercado das ações fosse de $80.000 nesta mesma data. No mês de junho, os investidores se sentirão mais confortáveis em associar o lucro líquido de $4.883 ao PL de $80.000 do que ao PL de $51.300

Pense na seguinte situação: você investiu $10.000 em um terreno. Ao final do primeiro ele estava valendo $20.000. Você dirá que seu retorno sobre o investimento foi de 100% no período. Ao final do segundo ano o valor de mercado de seu terreno era de $15.000. Embora na sua contabilidade pessoal o terreno esteja registrado por $10.000, você não dirá que ganhou 50% em relação ao capital investido (embora seja uma verdade). Você se sentirá mais propenso a dizer que perdeu 25% em relação ao que o terreno valia um ano antes.

Como calcular o retorno sobre patrimônio líquido? Quais são os seus determinantes?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *