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Advent compra gaúcha Quero-Quero e planeja adquirir outras três redes

Sérgio Bueno e Claudia Facchini – Valor Econômico
09/set/2008

Ao adquirir o controle da rede gaúcha Quero-Quero, o fundo de investimento americano Advent realizou o seu maior investimento desde que pisou pela primeira vez no Brasil, há 11 anos. Os valores não foram revelados, mas a aquisição de 95% do capital da varejista de material de construção e eletrodomésticos do interior do Rio Grande do Sul, que deve faturar R$ 700 milhões neste ano, não saiu barata, com certeza. Com a operação, o Advent fez três negócios em um.

Além das lojas em si, a Quero-Quero possui outros dois ativos altamente cobiçados: a administradora de cartões de crédito VerdeCard e uma financeira, que comercializa produtos financeiros como crédito pessoal e seguros, além de financiar os clientes da varejista.

A VerdeCard possui uma carteira invejável de 2 milhões de cartões e é maior do que a Visa e a Mastercard no Rio Grande do Sul, afirma Luiz Antonio Alves, diretor da Advent que costurou a aquisição. A empresa de cartões assemelha-se, por exemplo, à HiperCard, de Recife, pela qual o Unibanco pagou US$ 200 milhões em 2004.

Segundo Alves, o mau humor no mercado de ações e o fraco desempenho de companhias novatas na bolsa fizeram com que empresas de menor porte - a Quero-Quero entre elas - desistissem de seus projetos de abrir o capital. "Isso criou novas oportunidades para os fundos de private equity", afirma o diretor do Advent, que elegeu o varejo e o setor e o setor serviços financeiros como prioritários. "Dentro de seis meses, esperamos anunciar mais duas ou três aquisições no setor de varejo", acrescenta o executivo, que se aproximou da Quero-Quero no fim de 2007.

Uma parte da aquisição da varejista gaúcha será realizada pelo fundo de private equity da Advent chamado Lapev IV, que possui R$ 1,3 bilhão e é o maior da América Latina. Esse é o segundo negócio do fundo, que também fez a aquisição da rede de restaurantes Viena em 2007. Uma parte dos recursos para bancar a Quero-Quero, porém, virá de um fundo global da Advent de US$ 13 bilhões.

Logo depois de confirmar a venda do controle acionário para o Advent, a Quero-Quero anunciou ter planos de tornar-se a maior empresa do setor no país e abrir o capital dentro de cinco a seis anos. Em quatro anos, a meta já é assumir a liderança na região Sul com aquisições de outras redes e abertura de novas lojas para chegar a cerca 400 pontos-de-venda no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Atualmente com 170 unidades, a Quero-Quero pretende agregar pelo menos 200 novas lojas até 2012.

"Temos um plano de expansão agressivo e seremos consolidadores", disse Wilmar Hammerschmitt, que se manteve como sócio da empresa, presidente-executivo e também integrante do conselho de administração. O Advent vai nomear dois diretores, sendo um para a área de cartões, e dois dos cinco membros do conselho. Depois da expansão na região Sul, os alvos serão São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A Quero-Quero, que em 2007 havia adquirido a rede gaúcha Fischer, com 35 lojas no Estado, vinha negociando a venda de uma participação societária há dois anos para obter caixa e crescer com mais velocidade e nesse período conversou com quatro fundos de investimentos. O Advent foi o último a entrar no páreo, em outubro, e levou a melhor por aceitar manter os indicadores de desempenho apesar do arrefecimento do mercado acionário, disse o presidente.

Em 2008, a receita bruta de vendas da rede deve chegar a R$ 700 milhões, ante R$ 508 milhões em 2007, quando o lucro líquido consolidado foi de R$ 10,6 milhões. Incluindo as operações de financiamento e empréstimos pessoais, o valor deve alcançar R$ 1 bilhão, frente aos R$ 730 milhões do ano passado, informou Hammerschmitt. Antes da venda do controle, a previsão para 2010 era chegar a R$ 1,3 bilhão, considerando as receitas de todas as operações, mas com a injeção de capital e a expansão mais acelerada, esse montante deve ser superado, diz o empresário.

O endividamento financeiro líquido consolidado no fim do ano passado era de R$ 13,3 milhões, equivalente a 42,2% do lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) de R$ 31,5 milhões do período, que teve expansão de 13,3% sobre 2006. O patrimônio líquido fechou 2007 em R$ 86,5 milhões, quando a rede tinha 150 lojas. A receita líquida consolidada da operação de varejo cresceu 11%, para R$ 364 milhões, mas a margem bruta recuou de 39% para 36,6%.

Conforme o presidente, o negócio com a Advent, fechado sexta-feira à noite, inclui a financeira e a administradora de consórcios da empresa, mas a transferência do controle dessas operações ainda depende de aprovação do Banco Central.

Das 170 lojas atuais da Quero-Quero, 167 ficam no interior do Rio Grande do Sul e três no oeste de Santa Catarina. O programa de expansão ainda será detalhado pelos novos controladores, mas o portfólio de produtos e o foco principal nos consumidores das classes C e D serão mantidos, disse Hammerschmitt. De acordo com ele, a rede também vai se instalar nas capitais dos Estados em que atua, incluindo Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba.

Os pontos-de-venda continuarão nas ruas, explicou o diretor, que considera "muito caro" abrir lojas em shopping centers. As novas unidades terão em média 1 mil metros quadrados ou mais, ante os 750 a 800 metros quadrados atuais, e o investimento necessário para a abertura de cada uma delas ficará na faixa de R$ 1 milhão a R$ 1,2 milhão, previu o empresário.